quarta-feira, 23 de março de 2011

Assim...

"Vezes e vezes seguidas, entretanto, conhecemos a linguagem do amor e o pequeno cemitério ali, com seus nomes molancólicos, e o abismo terrivelmente silencioso no qual os outros caem: vezes e vezes seguidas nós dois andamos juntos sob árvores antigas, nos deitamos vezes e vezes seguidas sobre as flores, face a face com o céu" 

Rilke

...Sonhei contigo e até teu cheiro eu pude sentir... E acordei (óbvio) chorando, por saber que a realidade, nesse quisito, é cruel e nos deixa distantes um do outro...

domingo, 20 de março de 2011

Relatos de um tempo fora - parte 2

Quanto mais os dias passam e as coisas acontecem, menos tudo faz sentido pra mim.
Do décimo sexto andar eu contemplo o sol nascer no Guaíba e a cidade aos poucos acordando. Enquanto isso a brisa da manhã toca meu rosto e acaricia meus cabelos, me dando bom dia!
A medida que os carros e as pessoas vão colorindo e dando movimento à cidade, eu meu pergunto: "O que o dia me reserva pra hoje?!". Avisto lá embaixo um mar de gente que corre o dia todo, todos os dias, que não sabem nem da minha existência, assim como eu não sei da existência delas e me questiono: "Quantas tantas pessoas eu já conheci ao longo dos anos e que hoje desconheço?!" Eu sou uma dessas pessoas que por anos eu conheci, e hoje me desconheço. Não me reconheço e me vejo perdida no meu próprio mundo.
E no meio desse turbilhão todo, fui surpreendida por algo que foi se chegando de mansinho, como quem não quer nada e foi conquistando seu espaço. Meio de canto, de forma discreta foi tomando conta de mim de uma forma que eu nem percebi e jamais suspeitaria. Me deparei inúmeras vezes com os obstáculos resultantes do domínio de tudo isso em mim e o diagnóstico me surpreendeu: eu, que sempre disse que só era dominado por isso, quem tinha falta de vergonha na cara, fui pega, dominada e amarrada a tudo isso. Surpresa, raiva e um certo nível de desespero: foram essas as minhas reações. A situação, os fatos que aconteceram me deixaram doente fisicamente, internamente e emocionalmente e só quem pode recolher os pedaços que ficaram pelo chão, secar as lágrimas derramadas e dar um passo de cada vez, sou eu mesma.
E, em meio a tudo isso, a brisa ainda beija meu rosto na altura do décimo sexto andar,me chamando para ir com ela. Assim, eu pulo!


*** Mais uma marca que me deixou, e essa será pra sempre. Em sete meses tudo mudará pra sempre! ***

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Observações

Aqui tem cinco (das muitas) coisas que você precisa saber sobre mim:


"1. Tenho em elevada estima a minha própria opinião. Geralmente, acredito que sei como é que todo mundo deve levar a vida; e você, mais do que ninguém, será vítima disso.


2. Exijo um volume de devoção que deixaria Maria Antonieta envergonhada.


3. Na vida, tenho muito mais entusiasmo do que energia de verdade. Na minha empolgação, costumo aceitar mais do que consigo dar conta, física e emocionalmente, o que me faz desmoronar com demonstrações bastante previsíveis de exaustão drástica. Você é que será encarregado de passar a vassoura e catar os pedacinhos toda vez que eu exagerar e depois me desintegrar. Isso será chatérrimo. Já peço desculpas com antecedência.


4. Às claras, sou orgulhosa; em segredo, crítica e intolerante; e nos conflitos, covarde. Às vezes tudo isso coincide e me transformo numa baita mentirosa.


5. E o meu defeito mais desonroso: embora eu leve muito tempo para chagar a esse ponto, assim que decido que alguém é imperdoável, essa pessoa assim será pela vida toda - com demasiada freqüência, eliminada para sempre, sem aviso prévio, explicação nem segunda chance."

Relatos de um tempo fora - parte 1

Percebi que as coisas mudaram e as pessoas também. Eu mudei e talvez por isso esteja vendo as coisas e as pessoas de forma diferente. O fato de ter me afastado da "Pessoa x" me fez perceber que eu amava sim, estar com ela - a pessoa -, que as coisas que me dizia me faziam bem. Só que nos últimos (muitos) meses algumas coisas mudaram e aquele "sentir-se a vontade" para falar de tudo parece que foi embora. Percebo que, de alguma foram, se afastou e ainda não dei-me conta do motivo, só sei que nada foi como era antes. A "Pessoa x", desde que nos conhecemos, sempre foi muito prática e me dizia (entenda-se aconselhava) o que fazer em determinadas situação e muitos desses conselhos eu segui, mas hoje, quando algumas coisas simplesmente martelam na minha cabeça, eu percebi que, sim o amor a ela - a pessoa - acho que permanece incondicional, os conselhos e as dicas foram aceitas e nem sempre seguidos, mas eu sou eu não sou quem ela - a pessoa - gostaria que eu fosse. E, pra um monte de coisas, infelizmente eu não sei ser prática nem objetiva. E acho que, mesmo de forma involuntária, tentar me mudar, me transforma depende única e exclusivamente de mim. 
Certa vez me disseram que eu tenho vocação pra sofrimento, e de repente eu tenha mesmo e por saber coisas que só eu sei e sentir coisas que só eu sinto, optei por não mais falar sobre determinados assunto, principalmente os que dizem respeito ao meu coração. Acho que foi a partir dai que a distância começou.